Quando a dor nas costas merece avaliação
A maioria das dores lombares passa em duas semanas. O problema e saber quando a sua nao e uma dessas.
Por Leila Mara · Fisioterapeuta
A resposta curta
Quase todo mundo terá dor lombar em algum momento da vida — é uma das queixas mais comuns nos consultórios do mundo inteiro. A boa notícia é que a maioria dos casos melhora sozinha em poucos dias. A questão é saber diferenciar a dor que passa daquela que pede atenção.
Provavelmente vai passar sozinha
Nesses casos, o pior conselho é repouso absoluto. Ficar de cama mais de um ou dois dias atrasa a recuperação. Mantenha-se em movimento dentro do que a dor permite.
- Começou depois de um esforço específico: carregar peso, uma faxina, uma viagem longa
- Melhora quando você se movimenta e piora se fica muito tempo parado
- É localizada nas costas, sem descer para a perna
- Dá trégua com calor local e um analgésico simples
Procure avaliação
Procure atendimento com urgência se houver perda de força na perna, dificuldade para controlar urina ou fezes, dormência na região entre as pernas, febre junto com a dor, ou se a dor apareceu após queda ou acidente.
- Passou de 7 dias sem melhora nenhuma
- Irradia para a perna, principalmente abaixo do joelho
- Vem com formigamento, dormência ou fraqueza no pé ou na perna
- Acorda você à noite ou não melhora em posição nenhuma
- É recorrente: volta várias vezes por ano
Por que a dor volta sempre?
Dor lombar recorrente costuma ter menos a ver com a coluna em si e mais com o que está ao redor dela: musculatura profunda do abdome sem condicionamento, quadril rígido, padrão de movimento que sobrecarrega sempre o mesmo ponto.
É aí que o trabalho de fortalecimento e controle motor faz diferença — não para "consertar" a coluna, mas para dar a ela um suporte que não depende de você lembrar de fazer força.
E exame de imagem, precisa?
Nem sempre. Ressonâncias de pessoas sem nenhuma dor mostram alterações com muita frequência — protrusões, desgastes, achados que fazem parte do envelhecimento normal. Por isso o exame sozinho não explica a dor: quem interpreta é a avaliação clínica.